Mostrando postagens com marcador ôoh dança triste. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ôoh dança triste. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

DezAcompanhada

Essas portas de rangidos ensurdecedores...
Esses dias de queixas indecifráveis...
O som de lágrimas e o silêncio de lamentações.
Tudo, tudo parece lamuriar uma falta que ainda não ocorreu.

Nos dias, correndo um medo que nem motivo encontrou.
Na vida, sinais sem previsões.
Nos cortes, dor fosca.
Nos lábios, seu cheiro.

E o mau agouro em asas de anjo.
E minha presença ausenciando futuro.
E você que nem passado rasgante.

Agora só, de solidão.
De companhia, auspício.
E de presença, o desacompanhar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um só

Mas fazia tempo que sua mente girava por outros turnos. Que falava por outros tons e cantarolava outras canções.

As palavras continuavam em um canto escondido e meio empoeirado procurando se recompor e encontrar uma outra saída. E ela lá, com os fios bagunçados, os lábios já nem tão sorridentes assim e aqueles dedos a tamborilar sobre qualquer objeto. Intrínseca mania paranoica. Entrincheirada sobre os escombros de sua própria paz. Buscando em vão cair em correntezas que a tirassem de sua própria. Acompanhando noticiários mais pessoais que a maioria dos que cumprimentava pela rua. Cumprimentos... Sempre tão opacos e perdidos. Como se todos buscassem por respostas impossíveis de se ver no olhar alheio. Esquecendo-se dos espelhos de suas próprias almas. Esquecendo-se de ser pra quem são e mendigando respostas pra seus quadros sujos e borrocados pelas paredes.
Achando luzes vermelhas por todas as ruas, casas violadas por seus próprios criadores. Fantoches espalhando sorrisos impuros por caminhos desertos e completamente subjugados a pessoas más. Braços e pernas vibrantes de uma doença rechaçada por sua mente sã. E no meio de tanta loucura, passos combinados de pessoas carentes e submissas à exibição.
E de repente seu sorriso torto. De um de repente contínuo e obstante, perplexo e fugaz, cumpridor e piedoso. De repente a contenção de uma gargalhada insana. E de repente berros ocos. Contudo a louca que seria levada ao hospício era a mais sã das mentes presentes. E de repente o presente flagelado de toda uma civilização. E de repente só. Um só sem solidão. Um só sem dor. Um só de certeza pela insensatez de um mundo ao qual não merecia pertencer. Um só.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

pra quem não pode controlar...


" Aah, eu perco o sono, lembrando em cada riso teu qualquer bandeira aah,
fechando e abrindo a geladeira a noite inteira... " - Cazuza e Bebel


Quando a gente está apaixonado tem tanta coisa que sente ao mesmo tempo...
Aaah, tem tanto coração acelerado, tanto coração na boca, tanto coração em beijo e tanto coração em sonho... E tem tanta palavra nova que surge e faz do nada um texto complexo pra caramba, banhado a antíteses, metáforas e um monte de palavras que nem lembrava que conhecia... E as cores lá fora parecem mais vivas, a vida parece algo maravilhoso, viver parece muito mais essencial... E a saudade aperta sempre, qualquer motivo lembra, qualquer lembrança faz rir...

Aaah, sim, eu sei como é estar apaixonada, eu me lembro muito bem. Lembro de meu corpo formigar, e também de como meu sorriso podia ultrapassar os limites da cara. O jeito como meu coração me atropelava e como eu não dizia coisa com coisa. É, eu lembro.

Acontece que não tem como a gente escolher quando vai acontecer, nem com quem. E por esses dias resolvi dar uma de cupida de mim mesma. Dá pra acreditar? Não, e não deu nem um pouquinho certo. O que tenho agora? Um coração na mão e a faca na outra. Só que nesse assassinato o assassino também corta a própria mão. Deixa uma marca funda, pra ver sempre. Pra lembrar que o papel de Afrodite só a ela pertence.