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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Meu Socorro

E agora chove em mim.
Agora chove, e não foi você.
Agora chove e eu vejo o sinal de uma estranha, a qual me pego seguindo conselhos.
Agora chove lá fora e há mais alguém a me esperar nesse lugar que também era seu.
Agora chove e não te busco no fim.
Chove, chove e chove e é só a minha alma que foi salva dessa imensidão a qual me enfiou. Onde me procuro em fagulhas de desespero suas. Que, agora, o único sentimento que me trazem é de dó ou de perdão. Sim, piedade pelo que não viveu, ou pelo o que sentiu. Ela te faz falta e eu não posso te tirar disso. É o que você busca ter. E o que me disponho a dar. E talvez, você não saiba mais, mas ela também sente a dor de tudo o que houve. Mas pra ela é diferente, é raiva por não tê-la salvado, enquanto nem a si mesmo consegue salvar. É paixão de quando insuficiente se torna tudo o que passou. E você... aah, você quer mais, quer ela, seu rosto, seu corpo e seus gritos. Só não busca sua fiança e os berros de insegurança que já não ouve mais. E tenta seguir em algo que me fere, e ao meu ego... piedade. Porque é assim que me dói. Uma dor mansa de quem não acredita nos olhos, mas te come buscando outra saída que não seja minha vontade só. E você grita minha indiferença e sussurra socorro. E eu me calo sua indiferença e te grito socorro. De uma salvação que sempre nos foge porque não a queremos. De noites que gritam nosso corpos propensos. E das manhãs que nos voltam a gargalhar, prepotentes, pelo que sabem não poder nos dar.

domingo, 14 de agosto de 2011

Só Meu

"Só o amor não concretizado é romântico..."
(Vicky Cristina Barcelona)

E pra que dizer? Faz que nem eu, faz! Só fica, que o silêncio é mais verdadeiro. Se não quer, não diz. Faz que nem eu, faz! Era bom não ter nada e só um verão pra aproveitar. Melhor que esse tudo e quase nada pra levar. Agora diz, pra que? Esse silêncio agora não é de paz, é de covardia. É do que eu não disse, mas que você nem admitiu querer, fingiu nem cogitar a hipótese. Era só dizer tchau. Era só não me pedir pra ficar, era só não me guardar pra te proteger do amor que ainda sente. Que eu sabia, que eu sei. Que eu nem ligava. E que você nunca me deixou esquecer. Quer dizer, melhor assim. Mas precisava disso tudo? Era só ter me deixado em casa. Depois do tchau.
É o trigo no campo, que parece balançar de novo, tão loiro quanto antes, tão velho quanto antes. Tão só que me deixa ir sem soprar no meu ouvido. Que não me vê ir embora, mas que ainda assim diz que correu pra me encontrar. Eu já conheço esse refrão, só meu. Eu já conheço esse refrão...

domingo, 24 de abril de 2011

Pois é...

Quem inventou a escada rolante? Degraus que se movem. E depois falam de loucura. Pessoas subindo e descendo em escadas rolantes, elevadores, dirigindo carros, tendo portas de garagem que se abrem ao tocar de um botão. Depois elas vão para as academias queimar a gordura. Daqui a 4.000 anos, não teremos mais pernas, nos arrastaremos sobre nossas bundas, ou talvez só rolemos como tumbleweeds. Cada espécie destrói a si mesma. O que matou os dinossauros foi que eles comeram tudo à sua volta e depois tiveram que comer uns aos outros e com isso só um restou e o filho da puta morreu de fome. - Bukowski

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Diz a verdade que eu quero ouvir

Diz, diz que é verdade. Inventa. Convence. Seduz. Sorri. E vem. Vem que também quero acreditar. Me espere chegar bem perto. Me espere de sobrancelha erguida. Me espere já sabendo o que dizer. E diga. Derrame tudo de novo. Depois pare. Me deixe rir. Me deixe ver. Me deixe sentir toda a pena que pra você é perdão. E então me deixe dizer o quanto você conta de uma boneca a qual inventou. Do quanto não existe a importância que agora te importou. Do quanto eu posso continuar sorrindo, independente do que você diga.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Hoje foi só realidade

Acordei. Sim, hoje não foi cinismo, não foi cansaço, não foi doidera. Hoje foi só realidade. Vai ver até decepção.
Hoje senti pena, senti perda, senti perdão.
Hoje me disse que tudo mudou e que eu não deveria mudar. Mas que sem mudar, acabei mudando. Que sem querer, acabei fazendo. Que sem buscar, encontrei.
Hoje vi mentiras mais verdadeiras que todas as verdades que eu possa afirmar. Hoje vi uma só que se tornou um monte. Hoje eu me vi um monte. E quis o monte virando montanha e implodindo em mim de novo. Mas montanha não implode, e eu de uma, convivo comigo mesma. Um eu que não pude nem ao menos criar. Um eu que história minha não tem, que não me lembra, que não existe em mim. Um eu que tem vindo a minha frente e mesmo assim tem conseguido me atropelar. E eu de pena, continuo a observar cordas e mais cordas se enrolando. E eu de boba, continuo deixando o fio se desenrolar. Desenrolando o carretel inteiro um dia a fita acaba, um dia se assopra a palha, um dia a casa cai. E eu de lobo derrubo, e eu de vermelho também sou devorada. E não importa, a ciranda continua misturando os personagens. Um dia chego ao fim. Quem sabe eu, quem sabe alguém, quem sabe o que inventaram de mim.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Um bocado demais de mim,

e um pedacinho seu...

Dizem que às vezes as meninas são estranhas. Quase sempre. Mas hoje está difícil até pra mim me entender. Tudo tão certo, tudo tão errado. E um esforço muito grande pra me esconder. Uma vontade muito grande de me entregar. Tanto que pensamentos me assustam. Tanto que já não sei se sou eu ou é você. Em uma ciranda de clichês de amor que tem fim. Ou se quisá houve amor... E vou me perdendo em flashes só meus. Me esquecendo dos braços a me cercar. Me agarrando ao seu sorriso falso. Me contorcendo em mentiras tortas. Me tornando quase irreal em verdades hipócritas, com as quais quero até me enganar. Me deixando seduzir mais uma vez por minha imaginação. Tão irrelevantemente certo. Tão óbvio. Tão meu...

domingo, 19 de dezembro de 2010

O que eu tinha pra falar

Vontade de gritar. De dizer que não espero nada do futuro e que posso fazer. Que quero tudo agora e não faz o mínimo sentido esperar. Te repetir que admiração não é amor e não me importa o que parece certo. Que não sei de nada e vou continuar sem saber. Mas não tenho a menor dúvida quanto ao que não quero deixar de arriscar. Que deixar pra ser eu mesma depois é exatamente o tipo de erro ao qual não pretendo cometer mais uma vez. Berrar minha impulsividade até você entender e tapar todos esses buracos que ficaram no caminho entre nós dois. Te abraçar forte com a certeza do que sinto e te pedir pra repetir tudo de quando você não tinha certeza de nada.
Vontade de gritar sem me sentir culpada. Ou de dizer que não mando na merda do meu coração. E que ninguém manda. E que eu já não sei mais o que você quis dizer. E que esse monte de pontos de interrogação não me servem nem de pergunta nem de resposta. E que tudo como está pode ser insuportável às vezes. E dizer que não quero nada, nem seu futuro, nem sua presença, nem suas lágrimas. Só a certeza de que também sentiu o que arrastou o meu peito e o fez vibrar. Que os seus braços ao meu redor foram de verdade e que meu pescoço não imaginou o que sentiu.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um só

Mas fazia tempo que sua mente girava por outros turnos. Que falava por outros tons e cantarolava outras canções.

As palavras continuavam em um canto escondido e meio empoeirado procurando se recompor e encontrar uma outra saída. E ela lá, com os fios bagunçados, os lábios já nem tão sorridentes assim e aqueles dedos a tamborilar sobre qualquer objeto. Intrínseca mania paranoica. Entrincheirada sobre os escombros de sua própria paz. Buscando em vão cair em correntezas que a tirassem de sua própria. Acompanhando noticiários mais pessoais que a maioria dos que cumprimentava pela rua. Cumprimentos... Sempre tão opacos e perdidos. Como se todos buscassem por respostas impossíveis de se ver no olhar alheio. Esquecendo-se dos espelhos de suas próprias almas. Esquecendo-se de ser pra quem são e mendigando respostas pra seus quadros sujos e borrocados pelas paredes.
Achando luzes vermelhas por todas as ruas, casas violadas por seus próprios criadores. Fantoches espalhando sorrisos impuros por caminhos desertos e completamente subjugados a pessoas más. Braços e pernas vibrantes de uma doença rechaçada por sua mente sã. E no meio de tanta loucura, passos combinados de pessoas carentes e submissas à exibição.
E de repente seu sorriso torto. De um de repente contínuo e obstante, perplexo e fugaz, cumpridor e piedoso. De repente a contenção de uma gargalhada insana. E de repente berros ocos. Contudo a louca que seria levada ao hospício era a mais sã das mentes presentes. E de repente o presente flagelado de toda uma civilização. E de repente só. Um só sem solidão. Um só sem dor. Um só de certeza pela insensatez de um mundo ao qual não merecia pertencer. Um só.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Palavrões à Parte

Essa arrogância e o deboxe estampado à humanidade...
Você me irrita.
Elas te amam.
Gostam de acreditar que com elas será diferente. Gostam da ideia de chegar onde ninguém foi. Gostam do doce sabor de ilusão de seu veneno.
Você as corroe.
A cada palavra dura, a cada enfrentamento.
As que te largam pelo caminho, paciencia, fracas oportunidades...
As que te importunam... Talvez você aproveite pra mostrar o quão mau pode ser.
As que por algum acaso te interessam... Bem, essas você pode até iludir a si mesmo que talvez possam te satisfazer. Mas depois de um pouco, depois de olhos brilhantes e sorrisos, depois da conquista fácil e de muitas palavras que parecem meias, você por dentro grita e sua alma destrói os grilhões novamente.
E assim você segue os dias, passa suas horas pessimistas tentando se lubridiar com diversões. Contudo, continua procurando o lago fundo onde seus olhos um dia já se afogaram. Vai enganando a lixa em suas entranhas que tenta polir o que já foi liso e cintilava com o amor.

Quero Mérito

Eu já entendi. A pose de bom moço... A total pose de bom moço não agrada. Não agrada, pois não serve de incentivo. Não existe luta, não há de verdade emoção. Não é só uma batalha ganha em uma guerra. É uma guerra ganha em uma batalha. É segurança demais. Ou talvez prepotência...

O caso é que quando se tem tudo na mão a desvalorização vem a galopes. Quando se tem nas mãos uma segurança que não é só sua, que pode ser de qualquer uma que dê um pouco de atenção, quando precisa mais de uma companhia que de sua companhia, a atenção para de valer a pena. Sua vantagem parece pouca perto do púrpura derramado pelo brilho alheio. O cintilar doce e calmo de um amor simples não parece reluzir tão bem com uma armadura forte e enferrujada. O que se tem é muito pouco ou quase nada.

Apesar da boa intenção, da vontade de querer, o fervor quente e úmido da paixão precisa mais que um pouco de mel pra saciar. Precisa de fogo, precisa de seda e precisa até de um pouco de dor. Tem que arder mesmo que frágil. Tem que aprazer mesmo que rude. Tem que te seduzir e te largar só quando em multidões.

Tem que valer a pena mesmo que não valha nada. Tem que ser seu. Mas com mérito.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Somos

" A verdade é que somos sempre muito invejosos para compartilhar da felidade dos outros e pensamos ser generosos o suficiente para entender a dor alheia. "

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Que Ela Costumava Ser

Ela costumava ser bem melhor, ou nunca repara o quão ruim era. Ela costumava gostar mais de si e ter muito o que dizer. Ela costumava chorar, mas não ia dormir triste. Ela costumava entender o que eles queriam, ou assim ela sempre achou. Ela costumava ser impulsiva, mas bem, isto ela continua sendo. Ela costumava ligar, ou só pedir um abraço. Bom, isto ela já nem precisa mais pedir. Ele sabe quando deve. Mas ele está longe demais, ou mais perto do que deveria. Ele ultrapassa barreiras e invade caminhos que nem ela mesma conhece, surpreende com coisas que ela devia saber. Entra sem pedir, invade sem querer. Toma seus espaços. Ela costumava não deixar ninguém entrar, ou talvez eles só não pedissem licença. Ela costumava não se acomodar e fingir não estar surpresa. Aos poucos ela se acostumava com os pedidos e se esquecia da janela aberta.

Ela costumava saber o que fazer, ou sempre faziam o serviço pra ela. Ela costumava estar no centro, mas conhecia um centro só. Ela costumava abraçar o mundo e conseguir se equilibrar. Ela costumava achar que escolhas a faziam perder, mas aprendeu que escolhas a fazem ganhar. Ela costumava ser rebelde, contudo não tinha causa. Ela costumava ser vaidosa, mas não se meter em encrencas. Ela costumava ser intensa, mas não demais. Ela costumava gostar do ar da manhã, e não sentir só o da noite. Ela costumava ouvir música sem letra, agora escuta letra sem música. Ela costumava ser doce e inteligente, e esconder as gotinhas de limão e esperteza só dentro do bolso. Ela costumava tomar partido dos oprimidos, mas não estar ao lado deles. Ela costumava gritar a sua vontade e ter o que queria, mas não ficar descontente assim também. Ela costumava se enterrar na areia e depois fugir pro mar. Ela costumava entender quando evitavam-na, mas não eram seus amigos que costumavam se afastar. Ela costumava entender quem andava com ela, agora ela só sabe quando andam. Ela costumava saber se divertir, ou pelo menos escapar. Ela ainda sabe escapar, mas não costuma se divertir com isso. Ela costumava saber a hora de parar; ela continua sabendo, mas já não consegue se conter. Ela costumava ser muitas coisas, ela ainda costuma ser. Mas já não é como antes.

domingo, 4 de abril de 2010

Péssimo Dia

Quando nascemos não vemos direito nem a memória é boa. Daí vamos crescendo e com o tempo tudo se torna mais complexo. Passamos a ter noção das coisas ao nosso redor. Mas o tempo continua caminhando, quicá pra alguns até correndo... e quando ficamos velhos voltamos a ignorância original.
Um paradoxo meio estranho. Meio correto. Meio triste. É... meio triste.
Talvez seja porque esse começo e fim mudos nos tornem melhores do conseguimos ser durante todo o tempo de sentidos aguçados. Ou quem sabe só seja melhor mesmo esquecer...