domingo, 1 de maio de 2011

Canta?

Foi hoje, quando bati na porta errada, quando eu vi a porta aberta, quando foi você quem abriu. Quando não foram seus olhos, mas meu peito que saltou para longe e não quis te encarar. E as palavras grudaram, teias em minha mente. E algo de você grudado em mim. E eu que só quis fugir... E eu que só quis correr... Mas já nem sei pra onde. E já nem sei de que...
De repente só queria aquele abraço e o beijo de despedida, leve, intenso, meu. E o sorriso bobo, e o olhar profundo. Olhos que meu lápis desenhou. Boca que me disse gostar, gostar do olhar, gostar da mão, gostar de quem riscou. Mas que tola, também deixei escapar. Por que tem que ser assim? Tão meu, tão dela. Tão longe...
E você? Que me fez sentir medo? Que me fez querer de novo a casa? Que me fez querer de novo outubro... E eu que já tinha esquecido... E ele que já nem sabe mais de quem é...
E agora assim, frio, pés, madrugada e meu sono distante que insiste em escapar. E o pesadelo de te ver nos sonhos, e a raiva dele nunca estar lá pra me salvar. E a raiva de continuar aqui, e a raiva de qualquer um que não sabe nem ao menos conversar... E o filme? E a melodia? E aquela tarde? E o sol que se foi com o céu lilás, e as mãos juntas naquela mesa de jantar, e não sei quem perguntando como ela estava... E eu que nunca nem beijei. E o beijo que queima em meu pescoço. E o 'e se' que nem me segue por aí... E o ciúmes que ela nem tem motivo pra sentir... E o pra sempre dura quanto? E aquela música que eu nem vi terminar... Canta?

domingo, 24 de abril de 2011

Pois é...

Quem inventou a escada rolante? Degraus que se movem. E depois falam de loucura. Pessoas subindo e descendo em escadas rolantes, elevadores, dirigindo carros, tendo portas de garagem que se abrem ao tocar de um botão. Depois elas vão para as academias queimar a gordura. Daqui a 4.000 anos, não teremos mais pernas, nos arrastaremos sobre nossas bundas, ou talvez só rolemos como tumbleweeds. Cada espécie destrói a si mesma. O que matou os dinossauros foi que eles comeram tudo à sua volta e depois tiveram que comer uns aos outros e com isso só um restou e o filho da puta morreu de fome. - Bukowski

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Diz a verdade que eu quero ouvir

Diz, diz que é verdade. Inventa. Convence. Seduz. Sorri. E vem. Vem que também quero acreditar. Me espere chegar bem perto. Me espere de sobrancelha erguida. Me espere já sabendo o que dizer. E diga. Derrame tudo de novo. Depois pare. Me deixe rir. Me deixe ver. Me deixe sentir toda a pena que pra você é perdão. E então me deixe dizer o quanto você conta de uma boneca a qual inventou. Do quanto não existe a importância que agora te importou. Do quanto eu posso continuar sorrindo, independente do que você diga.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

" Mas homem de verdade
não se faz só com palavras."

Hoje foi só realidade

Acordei. Sim, hoje não foi cinismo, não foi cansaço, não foi doidera. Hoje foi só realidade. Vai ver até decepção.
Hoje senti pena, senti perda, senti perdão.
Hoje me disse que tudo mudou e que eu não deveria mudar. Mas que sem mudar, acabei mudando. Que sem querer, acabei fazendo. Que sem buscar, encontrei.
Hoje vi mentiras mais verdadeiras que todas as verdades que eu possa afirmar. Hoje vi uma só que se tornou um monte. Hoje eu me vi um monte. E quis o monte virando montanha e implodindo em mim de novo. Mas montanha não implode, e eu de uma, convivo comigo mesma. Um eu que não pude nem ao menos criar. Um eu que história minha não tem, que não me lembra, que não existe em mim. Um eu que tem vindo a minha frente e mesmo assim tem conseguido me atropelar. E eu de pena, continuo a observar cordas e mais cordas se enrolando. E eu de boba, continuo deixando o fio se desenrolar. Desenrolando o carretel inteiro um dia a fita acaba, um dia se assopra a palha, um dia a casa cai. E eu de lobo derrubo, e eu de vermelho também sou devorada. E não importa, a ciranda continua misturando os personagens. Um dia chego ao fim. Quem sabe eu, quem sabe alguém, quem sabe o que inventaram de mim.