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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sonho Bom

Você trocou de tempo e de amor, de música e de ideias (...) mas em si, nada vai mudar (8)

E do inesperado enfim, surge-me azul um céu de estrelas.
E é sua boca, seus olhos e o final dado por mim;
E é o grito, o escárnio e a dor que eu jurei não sentir
E não sinto, não me tem.

E eu ouvi outra vez as mesmas palavras com vozes distantes e novas.
E eu ouvi dizer que existe um mundo lá fora diferente de tudo que tenho dentro de mim;
E talvez eu vá buscar, algo que já não me jure perdão e sim sutilezas.
Alguém de vermelhos e imaginação que vem saído de algo mais que só um sonho bom.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sonho

Castanho claro. Dourado. Loiro escuro. Meus dentes brancos. Seus movimentos toscos. Suas frases sem significado. Seus amigos bobos. Suas costas. E eu de longe. Passos firmes. Minha concentração desatenta. A ti vejo, ao mundo sinto. Olhares ignoro. Presenças despresentes. Sorrisos dessorridos. Te toco, te esbarro. Seus olhos. Os meus. Meus lábios, os teus. Um beijo. Um abraço. Te olho, me vejo. Eu saio, não viro. O que me prendia ali se foi. Te busco em mim, me encontro. Ar puro, os olhos. Escuro. Eu vejo. A luz que vem. São as pálpebras que abro. Eu sinto. O vento. O céu. E todas as estrelas que nunca vou entender.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

M de homem

Porque é de madrugada que te espero em um suspiro falso de ansiedade. Porque eu sei te esperar... E de lento, passa a lebre. Me olha por mais quatro meses, vai! Me marca mais que todas as promessas depois do quarto dia. Ele sabe o certo, você o quer. Então vem, que mais quatro meses de agonia vão me matar. Só diz oi, ou me olha de longe, e vem chegando, devagarinho... Até me encontrar e sorrir, ao balbuciar um inaudível: "senti saudades!" que vou fingir não acreditar pra que não pense que sou tão boba assim. Mas que vou adorar como a mais sincera das mentiras, e prometer a mim mesma não esquecer. Agora vem, que já tá tarde e eu preciso dormir, diz que vai estar lá e me esperar praquela conversa que não terminamos ontem, ficou pra hoje... Vai citando Nando Reis e me fazendo esquecer como é estar sem você, e eu já não vou querer mais saber.

domingo, 11 de setembro de 2011

Última noite, criança

Muito bem criança, me faz sorrir, faz! Me deixa preocupada que nem uma babaca, pra depois me fazer rir assim, sem dizer nada. Isso é errado, viu? E muito feio! Não se faz, e é desprezível. Como alguém no mundo ainda tem a falta de vergonha na cara de pensar em gostar de você? Ein? Me diz! Que eu realmente preciso entender dessa coisa chamada coração. Ou é cabeça, criança? Meu coração não tem culpa de bater, mas a lembrança das suas frases toscas são meu cérebro que traz. Maldito cérebro! Maldito você que me enfeitiçou! Maldita eu que acreditei que um dia pudesse ser feliz assim. Sem nunca poder estar. E você que vive se pondo... Vem me buscar, vem? E diz que só foi pra passar o dia comigo, e que não pode demorar, mas passa o dia na praia e a noite na sala de estar. Vem que o dia é curto, mas a noite está aí pra se atravessar. E do meu lado, a gente dorme. E de manhã, a gente vai. Vai pra não voltar jamais. Vai pra se perder pra sempre. Vai pra poder estar.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A primeira letra do começo

Rabiscar seus olhos e colorir os pássaros lá de fora. Faz tanto tempo...
Acordes lidos e o som que não é tão literal. Parece até saudade...
Suas músicas, o seu sorriso, a minha boca e mais canções... Eu não me canso de imaginar.
Quantos dias faz que não te vejo? Eu já perdi a conta. Vai ver já nem sei mais contar...
Contar os cortes, os tropeços, o outubro passado... Vem de novo comigo?
Eu vejo tanta gente assim... Perdida, realista, como quiser chamar... Às vezes parecem pessoas sem nem saber do que lembrar! E é tão triste o olhar delas! E só o que me vem à mente são os olhos, de água, de águia, de falcão. De abraço, de carinho, de solidão. De meus, de seus, de querer de volta. Vem pra mim? E canta, que seu abraço ainda me vem... Traz de novo o aperto forte, mas não me espera pra soltar! Viaja comigo, imagina que a gente ainda pode voar!

sábado, 12 de março de 2011

E vem como o mar...

O cabelo sujo, mas era só água... água dos seus olhos a me escorrer.
Água que nem vi passar. Mas que carregou barco em correnteza.
Olhos de ressaca... os meus, os seus... os olhos... que olhos?
Pés descalços, minha nudez quase sua.
Sombras bastardas, e quem liga pra elas?
Passos leves, o peso de seu corpo ao lado meu.
- Eu... que bom te encontrar.
- Espera, não fala. Antes eu preciso...
Curvas ao som do mar. Uma corrida, um mergulho, um sorriso. E você vem, lavar a alma. Sem bordões, motivos ou pretextos. Levar o grunhido soluçante de boates. O cheiro forte de pessoas à procura de um disfarce. As perguntas de vitrola, sempre as mesmas ao som de hits. Piscar de luzes e escuridão de almas. Pouca importância... Afinal, quem quer saber aonde moro? Foda-se a minha universidade ou o que vou fazer no carnaval. E a cor? E a televisão de madrugada? E a canção que não sai da cabeça? Vem me consolar, vem de novo pra eu saber do seu dia, vem que todo papo parece fútil e nada especial.

Vem que a praia de manhã não foi feita pra uma pessoa só...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

And I don't need...

eu não preciso de sua confusão densa e imprecisa. ou de sua fala insegura e seu jeito leve demais. não preciso de suas dores ou de seus passos na frente dos meus. seus pensamentos muito mais rápidos e contrastantes com o que eu realmente quis dizer. não preciso daquelas palavras que li nem das que sei que já pronunciou. E não, não preciso de outras lágrimas. Não quero as dela. Ou as suas, ou as de ninguém. Já me bastam as minhas que sufocando um dia chegaram a me inundar...

Em minha mente, músicas insistentes no silêncio a espera de seus dedos. Já os meus, ah! Meus dedos brandem ágeis procurando esconder o tremular que só de pensar me vem. Também meu peito vibra, e pede o abraço a me cobrir e transbordar. Uma, duas, quantas vezes quiser... E o pescoço oblíquo espera o toque embaraçado que de doce a bravio nem um segundo separa. Mas que não mais do que isso também duram. E você foge, eu fico. Mas me leva também. E na dúvida me encaro tão lá quanto em qualquer outro lugar. E fecho os olhos buscando algo que me prenda às margens desenhadas. Para logo já não saber quando foi que o gravite deixou os sonhos despertar.

... another kind of green to know: I'm on the right side with YOU. ♪

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dezenove

Abro os olhos, conto um a um: dezenove pela janela, eles sorriem. Canela, um pouquinho de avelã, tão meu, tão familiar que o peito até dói. Nada de lembranças, nada que me faça correr, apenas o gosto estranho de sono bem dormido. Minhas mãos apertam os lençóis. Mas logo me encolho e me estico, meus dedos tocam os olhos, meus dentes mordem os lábios, são eles que estão indo. Dezessete eu já tenho, mas quantos verei quando tiver dezenove? Talvez eu nem saiba mais contar... Vai ver serão os mesmos, mas mesmo assim eu não os veja. Talvez eles cantem, ou me gritem até enrouquecer... Quem sabe eu fique surda. Talvez entrem mais pelo vidro que irei ganhar ou vai ver eu os prenda em uma garrafa. Não, não, eles vão estar lá. Vão com suas cores, vão por minha sombra. Eles vão comigo. Talvez eles cresçam, ou quem sabe encolham, mas ainda assim, sempre estarão por perto. Além do mais, pela janela ela também me vê. E ela eu sei, nunca nem pode me deixar. Meus dentes me apertam de novo, não me lembro quando ele sorriu pela última vez com as palavras, mas elas estavam correndo outra vez. Ainda bem, eu também preciso delas.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Just Like Heaven

Arrumou-se com um pouco de pressa, combinara às onze. A mão firme retocava o lápis na parte inferior dos olhos. A sombra clara destacava seu olhar escuro. Nos lábios, o vermelho atípico. Há muito se esquecera de como ficava bem com ele... O celular tocou em algum ponto do apartamento. Riu consigo ao pensar que nunca conseguiria deixá-lo em lugares de que se lembrasse e então foi procurá-lo. Mais alguns minutos, risos ao telefone, um pouco mais de perfume, uma última olhada ao espelho... Pronta.

No carro batidas agitadas pré-diziam a noite. E por causa do vidro meio aberto um vento gélido beijava-lhe a face. Deliciada com o gosto puro de liberdade cantarolava alegre a canção ressonante. Lá fora uma lua gorda e brilhante parecia gargalhar misteriosa como se pudesse prever a noite da bela moça.

Parou a menos de cem metros da boate. Tivera sorte, nem mesmo ela saberia explicar como conseguira aquela vaga. Afinal eram quase meia-noite e a fila fazia ciranda pelo quarteirão. Contudo não estava nem aí! Era uma linda noite, as estrelas pareciam holofotes e ainda sentia um vento tímido sobre a pele. Nem brincar de roda com toda aquela fila poderia arrancar-lhe o bom humor.

Já na festa o ambiente escuro e a música alta empurraram-lhe forte e sem tempo nem ao menos para respirar ao cume de toda a animação. Com um suspiro substancioso derramou o vento que lhe faltara ao entrar. Muita gente, conversas saltando aos ouvidos e um pouco de fumaça foram os ingredientes finais despejados à mistura fervente que compunha o ambiente. Um breve passeio pela pista e pode ver uma agitação louca de braços e gritos a sua espera. Pensou então que são nessas horas que cogitamos fingir que não é com a gente que estão mexendo. Mas por alguma razão louca ou por simples remorso, de lembrar que também era capaz de insanidades do tipo, foi ao encontro das garotas. Afinal a falação deu-lhe sede e em busca de uma bebida foi ao bar. De longe pode ver ombros largos e um jeito largado de encostar à bancada. Interessante.

“Não acredito!” – a frase surpresa da menina foi seguida por um olhar de espanto do rapaz.
“Eu...aah...”
“M* não é? É T*, a gente estudou uuhn... o ensino médio todo juntos.”
“T? Nossa, quase não te reconheci! Você está tão... bem!” – a garota sorriu em resposta. – Faz...”
“Muito tempo. Eu sei.”
“É... isso. Mas como você tem passado? Morando por aqui?”
“Uhum, fim de faculdade, vida nova, apartamento novo, tudo, er... quase tudo, novo.” – os dois riram um pouco.
“Nossa, que inveja, quem dera eu estive terminando.”
“Ué, mas não?”
“Aaah, a faculdade sim né, agora têm mais três anos de residência daqui pra frente.”
“Olha só o outro reclamando de barriga cheia! Já vai estar ganhando rapaz, não ‘tá bom não?”
“Bem... bom bom bom...”
“Não ‘tá não.” – os dois riram recordando os velhos tempos. – “Sei, sei... Mas e aí, ‘tá com galera aqui?”
“To, to com um pessoal ali...”
“Pois é, é que eu também, e as meninas estão me esperando...” – o rapaz olhou pra baixo e depois pros lados distraidamente como se tentasse se agarrar a algo que os prendesse ali. – “Não quer juntar o pessoal não?” – o loiro voltou o olhar para ela.
“Claro.” – um sorriso discreto encheu o rosto dela. Fazia tanto tempo...

Quando finalmente todos foram reunidos, o que a princípio deixou as moças furiosas com o fim precipitado da noite das meninas pareceu a melhor ideia da noite após um pequeno intervalo.

“Aaaah, para! Eu amo essa música!” - As mangas soltas do vestido estampado dançavam acompanhando seu compasso leve e único. Ele sorriu, de verdade, como não fazia há muito tempo. Cara, como ela lhe fazia bem!
“T*, você... ‘tá muito linda.” – o rosto corado dela ganhou um tom a mais. Ela sorriu.
“Eu... eu não imaginei que você fosse ficar assim.”
“Assim?”
“É... Assim.” – Seu olhar brilhante e a boca exalando mistério não deixaram que ele contestasse mais uma vez.
“Eu não acredito que deixei você passar... Eu era um garoto realmente muito bobo.”
“Eu também não acredito que te deixei passar...” – Seus olhos viram-se como não faziam há muito tempo e a música já não importava mais. Seus corpos encontraram-se e o gosto doce da boca dele encontrou a sua. Ela não se lembrava de ter esquecido do mundo em mais nenhum beijo. Mas ela já não se lembrava mais... Eles se encaixavam perfeitamente, sincronizados, análogos sem nem precisarem de nada igual, aprazíveis. Ficaram ali, não se sabe, quem sabe até o tempo parou... Primeiro foi descoberta, depois bem... Foi intensidade. Uma intensidade que não se lembrava em nenhum momento antes, mas ela já não se lembrava mais... E no fim, bem, não teve fim. Foi só... Quando eles sorriram.

“Eu vou buscar uma bebida. Você quer?”
“Quero, aar...”
“Vodka com kiwi.”
“Você ainda lembra...” – Ele sorriu em resposta e virou. Agora as lembranças inundaram sua mente e pras costas dele ela se despediu. Correu. Fugiu. Saiu pela noite sem rumo ou direção. E a lua parecia gargalhar misteriosa como se quisesse dizer que tinha razão.


*de asas a sua imaginação ;)

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era pra ter ficado 1k de vezes menor, mas no fim... bem, textos são assim, quando ganham vida parece que suas pernas são capazes de correr por léguas sem se cansar. Fogem.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

good day

" A luz brilhante do sol bate a porta e não espera que lhe dêem passagem. Arromba janelas, espreme-se por frestas e gretas, invade e doma a escuridão. Enche tudo o que toca e quando enfim noto, o festim já vai longe, deixando-me só com risos, gritos e fogos. Um turbilhão de emoções embrenhando-se pelas vigas da construção. Estremecendo-lhe paredes. Enraizando-se em pisos. Um enorme banquete disposto pelo cômodo, majestoso, de grandeza leve e pura.

Penas brancas compõem pequenas asas crescentes em minhas costas. Mas essas somente batem de verdade enquanto sou convidada a entrar naquela dança por seu lindo sorriso. Minh’alma valseia pelo salão preenchendo todo o vazio antes por ele imposto. Uma brisa cálida percorre-me enquanto meus pequenos giros fazem a seda clara de meu vestido anil ganhar vida. Como as chamas agitadas de uma fogueira em princípio de noite, a plenitude trazia luz e fogo ao ambiente. Plenitude esta, óbvia, já que vista de fontes cristalinas. Águas claras que escorriam de buracos, jorravam de paredes, fugiam da prisão...

Minhas pupilas cerradas gargalham sem-vergonhas, buscando compartilhar também da euforia. Calma. Agora falta pouco.

Pequenos pássaros invadem o diminuto, porém augusto palácio com seus cantos de início baixos e serenos, mas que ganham força e podem, em segundos, ser considerados a mais bela das sinfonias. O vento fresco da manhã pinica em minha pele cobrindo-me com a protetora manta da aurora e o cheiro orvalhado e de frutos silvestres transpõe os limites físicos e toma meu ser. A procura de mais do perfume doce e sutil inspiro profundamente. Em seguida mecho-me preguiçosamente a procura de maior conforto e esfregando levemente o rosto no travesseiro finalmente meus olhos piscam atordoados e abrem-se para o deleite da mágica de mais uma manhã de verão. "