Porque é de madrugada que te espero em um suspiro falso de ansiedade. Porque eu sei te esperar... E de lento, passa a lebre. Me olha por mais quatro meses, vai! Me marca mais que todas as promessas depois do quarto dia. Ele sabe o certo, você o quer. Então vem, que mais quatro meses de agonia vão me matar. Só diz oi, ou me olha de longe, e vem chegando, devagarinho... Até me encontrar e sorrir, ao balbuciar um inaudível: "senti saudades!" que vou fingir não acreditar pra que não pense que sou tão boba assim. Mas que vou adorar como a mais sincera das mentiras, e prometer a mim mesma não esquecer. Agora vem, que já tá tarde e eu preciso dormir, diz que vai estar lá e me esperar praquela conversa que não terminamos ontem, ficou pra hoje... Vai citando Nando Reis e me fazendo esquecer como é estar sem você, e eu já não vou querer mais saber.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
Última noite, criança
Muito bem criança, me faz sorrir, faz! Me deixa preocupada que nem uma babaca, pra depois me fazer rir assim, sem dizer nada. Isso é errado, viu? E muito feio! Não se faz, e é desprezível. Como alguém no mundo ainda tem a falta de vergonha na cara de pensar em gostar de você? Ein? Me diz! Que eu realmente preciso entender dessa coisa chamada coração. Ou é cabeça, criança? Meu coração não tem culpa de bater, mas a lembrança das suas frases toscas são meu cérebro que traz. Maldito cérebro! Maldito você que me enfeitiçou! Maldita eu que acreditei que um dia pudesse ser feliz assim. Sem nunca poder estar. E você que vive se pondo... Vem me buscar, vem? E diz que só foi pra passar o dia comigo, e que não pode demorar, mas passa o dia na praia e a noite na sala de estar. Vem que o dia é curto, mas a noite está aí pra se atravessar. E do meu lado, a gente dorme. E de manhã, a gente vai. Vai pra não voltar jamais. Vai pra se perder pra sempre. Vai pra poder estar.
sábado, 10 de setembro de 2011
Homem
Zangado: O que você considera como homem?
Feliz: Homem é aquele que me faz feliz quando sou quem eu sou. Homem é aquele que me faz sentir mulher por estar com ele, não quando tenho que lhe provar o quanto está sendo imaturo. Homem é aquele que está disposto a correr riscos em busca do que quer, não simplesmente pisar até onde seu pé alcança. Homem é aquele que sabe me dar uma bronca quando esqueço de ser mulher e de estar comigo quando só quero ser uma menina. Homem é saber ser responsável por suas ações e nem por isso se sentir essencial ou necessário em tudo o que faz. Homem é saber ver onde estou errando e respeitar a minha individualidade de amadurecimento. E, principalmente, escolher estar comigo junto de tudo isso. Homem é saber filtrar todos os comentários e não ter vergonha das suas escolhas. Homem é ouvir a mulher nos dizeres de menina e tentar entender a profundidade de se enxergar grande mesmo quando se vê pequena. Homem é ter certeza do que quer e só querer quando tem certeza. Homem é se fazer presente mesmo quando longe. Homem é ter paixão pelo o que se busca e confiar no que se tem. Ser homem é viver sem ter vergonha de poder morrer amanhã.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Metade
Mas ele já estava quebrado, e de brincadeira virei brinquedo. Eu sei, eu sei, que talvez a intenção da criança não tenha sido jamais me machucar. Mas é impossível não machucar alguém quando já se está machucado. Não quando o assunto é o amor. Por mais que se tente distanciar, criar barreiras entre o que já foi e o que pode ser... Na verdade só o que conseguimos é uma confusão maluca de fatos incompletos tentando te completar, te enchendo de pedaços. Te deixando sem cola. E você fica perdido naquele meio todo até que alguém te puxe, e você me puxou, criança. Mesmo sem querer, mesmo querendo se equilibrar, você também me puxou. E depois parou. Olhou para o tempo e disse que talvez fosse chover. E se sentou na terra fria, esperando o cheiro da chuva. Para que você pudesse encher os pulmões e acreditar que foi tudo real. E eu sentei ali do lado, tentando te acompanhar. Tentando viver de novo também, procurando um chão que me sujasse, mas que me fizesse crer. E você achou que eu estava ali só seguindo seus passos, só por não ter mais aonde ir. Mas essa nunca foi a questão. Eu fui porque quis, eu fui porque quis crer nas palavras que um dia repeti pra alguém, palavras que você repetiu pra mim, criança. E eu não ia fazer, e eu não fiz, nada que não gostaria que fizesse comigo. Será que você entende?
E eu continuo aqui, sentada na terra, vermelha, esperando você sentar de novo. Pra poder ouvir seu nome, e te mostrar que não, não precisa deixar de acreditar que pode ser diferente. Porque eu não quero saber pra onde você vai, só se vai continuar pensando em mim, antes de dormir ou assim que acordar, pra me fazer crer que não fui só eu que sonhei. Eu também não estou inteira, mas eu não quis me dar pela metade, porque metade não me completa e eu te quero inteiro. Então espera viu? Espera a gente se completar pra que então você possa ser meu, só meu, mas meu inteiro. Eu não quero só meu sua única metade. Eu quero a outra parte, a parte que ficou naquele apartamento, que ficou junto com as mágoas e os desapegos... Eu quero você pra poder dizer é meu, e você com orgulho poder repetir: Graças a Deus.
Você parou, esperando que dessa vez eu fosse te levar, e eu amarrei uma pulseirinha na sua mochila criança, mas você não viu. E achou que eu fosse levantar e te deixar ali até que outro alguém parasse e quisesse te carregar. Eu não te deixei criança, foi você que não veio comigo. Eu te chamei lembra? Mas você ainda não estava pronto. Então espera, deixa só buscar um copo de água e a gente volta aqui, e deita no chão, daquele jeito que eu te ensinei... Não importa que a terra vá ficar no cabelo, daqui a pouco a chuva cai, e leva tudo, tudo mesmo criança... Até nós dois para um lugar melhor. Mas você tem que querer vir. Vem?
domingo, 14 de agosto de 2011
Só Meu
"Só o amor não concretizado é romântico..."
(Vicky Cristina Barcelona)
E pra que dizer? Faz que nem eu, faz! Só fica, que o silêncio é mais verdadeiro. Se não quer, não diz. Faz que nem eu, faz! Era bom não ter nada e só um verão pra aproveitar. Melhor que esse tudo e quase nada pra levar. Agora diz, pra que? Esse silêncio agora não é de paz, é de covardia. É do que eu não disse, mas que você nem admitiu querer, fingiu nem cogitar a hipótese. Era só dizer tchau. Era só não me pedir pra ficar, era só não me guardar pra te proteger do amor que ainda sente. Que eu sabia, que eu sei. Que eu nem ligava. E que você nunca me deixou esquecer. Quer dizer, melhor assim. Mas precisava disso tudo? Era só ter me deixado em casa. Depois do tchau.
É o trigo no campo, que parece balançar de novo, tão loiro quanto antes, tão velho quanto antes. Tão só que me deixa ir sem soprar no meu ouvido. Que não me vê ir embora, mas que ainda assim diz que correu pra me encontrar. Eu já conheço esse refrão, só meu. Eu já conheço esse refrão...
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