domingo, 19 de dezembro de 2010

O que eu tinha pra falar

Vontade de gritar. De dizer que não espero nada do futuro e que posso fazer. Que quero tudo agora e não faz o mínimo sentido esperar. Te repetir que admiração não é amor e não me importa o que parece certo. Que não sei de nada e vou continuar sem saber. Mas não tenho a menor dúvida quanto ao que não quero deixar de arriscar. Que deixar pra ser eu mesma depois é exatamente o tipo de erro ao qual não pretendo cometer mais uma vez. Berrar minha impulsividade até você entender e tapar todos esses buracos que ficaram no caminho entre nós dois. Te abraçar forte com a certeza do que sinto e te pedir pra repetir tudo de quando você não tinha certeza de nada.
Vontade de gritar sem me sentir culpada. Ou de dizer que não mando na merda do meu coração. E que ninguém manda. E que eu já não sei mais o que você quis dizer. E que esse monte de pontos de interrogação não me servem nem de pergunta nem de resposta. E que tudo como está pode ser insuportável às vezes. E dizer que não quero nada, nem seu futuro, nem sua presença, nem suas lágrimas. Só a certeza de que também sentiu o que arrastou o meu peito e o fez vibrar. Que os seus braços ao meu redor foram de verdade e que meu pescoço não imaginou o que sentiu.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

And I don't need...

eu não preciso de sua confusão densa e imprecisa. ou de sua fala insegura e seu jeito leve demais. não preciso de suas dores ou de seus passos na frente dos meus. seus pensamentos muito mais rápidos e contrastantes com o que eu realmente quis dizer. não preciso daquelas palavras que li nem das que sei que já pronunciou. E não, não preciso de outras lágrimas. Não quero as dela. Ou as suas, ou as de ninguém. Já me bastam as minhas que sufocando um dia chegaram a me inundar...

Em minha mente, músicas insistentes no silêncio a espera de seus dedos. Já os meus, ah! Meus dedos brandem ágeis procurando esconder o tremular que só de pensar me vem. Também meu peito vibra, e pede o abraço a me cobrir e transbordar. Uma, duas, quantas vezes quiser... E o pescoço oblíquo espera o toque embaraçado que de doce a bravio nem um segundo separa. Mas que não mais do que isso também duram. E você foge, eu fico. Mas me leva também. E na dúvida me encaro tão lá quanto em qualquer outro lugar. E fecho os olhos buscando algo que me prenda às margens desenhadas. Para logo já não saber quando foi que o gravite deixou os sonhos despertar.

... another kind of green to know: I'm on the right side with YOU. ♪

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um só

Mas fazia tempo que sua mente girava por outros turnos. Que falava por outros tons e cantarolava outras canções.

As palavras continuavam em um canto escondido e meio empoeirado procurando se recompor e encontrar uma outra saída. E ela lá, com os fios bagunçados, os lábios já nem tão sorridentes assim e aqueles dedos a tamborilar sobre qualquer objeto. Intrínseca mania paranoica. Entrincheirada sobre os escombros de sua própria paz. Buscando em vão cair em correntezas que a tirassem de sua própria. Acompanhando noticiários mais pessoais que a maioria dos que cumprimentava pela rua. Cumprimentos... Sempre tão opacos e perdidos. Como se todos buscassem por respostas impossíveis de se ver no olhar alheio. Esquecendo-se dos espelhos de suas próprias almas. Esquecendo-se de ser pra quem são e mendigando respostas pra seus quadros sujos e borrocados pelas paredes.
Achando luzes vermelhas por todas as ruas, casas violadas por seus próprios criadores. Fantoches espalhando sorrisos impuros por caminhos desertos e completamente subjugados a pessoas más. Braços e pernas vibrantes de uma doença rechaçada por sua mente sã. E no meio de tanta loucura, passos combinados de pessoas carentes e submissas à exibição.
E de repente seu sorriso torto. De um de repente contínuo e obstante, perplexo e fugaz, cumpridor e piedoso. De repente a contenção de uma gargalhada insana. E de repente berros ocos. Contudo a louca que seria levada ao hospício era a mais sã das mentes presentes. E de repente o presente flagelado de toda uma civilização. E de repente só. Um só sem solidão. Um só sem dor. Um só de certeza pela insensatez de um mundo ao qual não merecia pertencer. Um só.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

E agora?

E agora sua voz a assobiar pelos fins de tarde ou mesmo em alguns sonhos pela manhã. E agora a lembrança vaga do desespero seco e a certeza amarga da hesitação, da falta de credibilidade, das minhas dúvidas...
E agora dois meses e as suas letras prestidigitosas, sorrateiramente, invadem mais uma vez meus minutos e as horas entre eles.
E agora tudo que eu não quero mais acreditar e tudo que não me foi explicado. E agora meus olhos vagueantes e a vontade bravia de entender tudo o que você não quis dizer. E agora meus sorrisos que forço pra conter e o escárnio da não-necessidade.
E agora vai e some. E me deixa com o abandono a me acompanhar. Deixando-me enfim sussurrar velhas canções em outros ouvidos e esquecer que um dia elas só me fizeram lembrar de você.

Labirinto de Palavras

O que ouço é alegre e melodiosamente agradável, mas minhas palavras parecem chorar.
Gotas escorrem fortes,
mas em meu peito nem uma mão sequer. Nada me aperta, só um vazio assobiante continua a perseguir.
Ouço vozes lá fora, mas nada compreensível ultrapassa minhas barreiras.
As pontes foram levantadas, alicerces erguidos, e agora?
E agora nada?
E agora cai?
E agora um vento forte que destronou o próprio trono?

E agora um sonho dentro do sonho.
Ou talvez só o meu labirinto de palavras
...